Desmascarando seu inconsciente.

Por trás de seus pensamentos, existe muitas verdades nas quais você ainda não se deu conta. - Thiago Urameshi

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ateus põem a cabeça fora do ‘armário’. E levam pancadas.


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Diferentemente de gerações anteriores, os jovens ateus brasileiros (ou parte deles) se assumem com tais, pedem respeito, da mesma forma que respeitam quem crê em Deus, mas são vítimas de discriminação na família, na escola e no trabalho.

“Se você diz que é ateu, mostra a cara sem medo, será alvo de discriminações”, diz Tihago Cardoso Santos, 21.

No caso dele, há um episódio em que a intolerância se manifestou com truculência.

Em 2007, Santos era integrante da PE (Polícia do Exército), e seus superiores obrigaram-no a frequentar o culto. Ele teve de recorrer à Justiça para se livrar do abuso de autoridade e logo depois deixou o Exército.

Vem de longe o preconceito de que o ateu não bate bem da cabeça por algum problema de nascença ou adquirido. Marcelo Ronconi conta que o coordenador de um colégio evangélico onde estudava chamava-o de “maluco”. Ele acredita que essa pecha prejudicou o seu relacionamento com os colegas.

De uma maneira geral, as pessoas têm dificuldade em aceitar o ateu, afirma Ronconi.

“Muitas vezes já me disseram: “Você é ateu, certo? Mas o que houve? Problemas com drogas? Problemas na família?”

Ele conta que o estranhamento parte inclusive de quem sofre preconceito e discriminação por outros motivos. Uma vez um travesti quis saber se os pais dele o aceitam “assim” (ateu). No Orkut, Roncon, um militante ateísta, é xingado com frequência.

Pedro da Nóbrega Bearzoti, o Pepeu, também é um defensor do ateísmo. E ele estuda em um colégio católico.

Lá, Pompeu tem sido aconselhado por colegas de que com religião não se brinca e que o inferno lhe espera.

“Ironicamente, o cara que mais me respeita é o padre do colégio, que pede para lhe dizer qualquer manifestação de preconceito.”

Os pais acabam aceitando os filhos ateus, ou finge que aceitam, para não perdê-los ou talvez na expectativa de fazê-los voltar para Deus.

A médica Meire G. conta que sua mãe ficou abalada quando soube que ela é ateia. “Foi horrível, ela chorou muito e comentou algo como: ‘Filha, você é tão inteligente e não acredita em Deus!?” Hoje, diz, a sua mãe aceita que ela seja uma “sem religião”.

Ela só fala que é ateia se sentir que há abertura para tanto. “Não só por cuidado comigo, mas por respeito a outra pessoa”.

A família de J.J. ficou sabendo que ela é ateia pelo seu profile do Orkut há um ano. Ela diz que na época parentes passaram a considerá-la como uma adolescente revoltada e insensível. “Me ligaram para dizer que preciso ter fé em Deus e tentaram fazer com que minha mãe se sentisse culpada.” Hoje, não há pressões: a mãe dela se tornou agnóstica.

Lucas Micael, 21, se assumiu ateu há dois anos. No começo, a sua família teve dificuldade de compreendê-lo. A sua mãe achou que a descrença era um sintoma de depressão. “Ela chegou a dizer que eu não era filho dela.”

Macaco (é o apelido dele) também sofreu rejeição da então sua namorada, uma evangélica. “Eu virei a pior pessoa do mundo, e ela se livrou de mim. Usou argumento como o de que ateus são tolerantes com o homossexualismo.”

Hoje Micael não tem do que se queixar. Entre seus amigos houve quem também se revelasse descrente.

Nem todos os ateus se sentem discriminados – ainda que sejam de maneira sutil. Esse é o caso de Eder Araújo Pinheiro da Silva. Mas ele se irrita com pessoas que deixam subentendido que “Deus ainda vai abrir os seus olhos” ou que “quando você cair doente vai clamar por Deus e aí poderá ser tarde”. Para Silva, tal arrogância é pior do que a discriminação explícita.

Costumava-se dizer que os ateus brasileiros são tão poucos, que caberiam em uma Kombi e sobrariam lugares.

Talvez fosse o caso de se afirmar agora que os ateus já lotam dezenas de kombis. Eles são dezenas de milhares (não dá para quantificá-los porque as estatísticas não são confiáveis).

eder Mas agora talvez existam outros como Eder da Silva (foto), que diz não ter mais paciência para esconder as suas convicções.

Ele escreve: “Sinto grande vontade de gritar para as pessoas que, diferentemente do que pensam, deus não é e nunca foi uma unanimidade e que a vida é possível após a religião”.



No post de origem dessa matéria (aqui) tem depoimentos dos participantes dessa matéria nos comentários, quem se interessar, basta acessar.
Hipocrisia Off 
 Autor: Thiago Urameshi
"Religião não define caráter"
Obrigado pela visita e volte sempre.

4 comentários:

Boa Tarde

Tenho 20 anos e também sofro de preconceito já cheguei a perder oportunidade de trabalho por me declarar ateu desde então digo que sou católico não praticante para evitar discussão até mesmo com os meus pais que não sabe dialogar de forma descente e acaba gritando e perdendo a razão.... o que eles tem de diferente de min nada... apenas ignorância.

A única diferença dentre eles e você, é que em meio a mais de 5 MIL Deuses "existentes" você acredita em UM a menos que eles...

É complicado isso, mas não se esconda, vá convencendo de pouco a pouco. O preconceito só vai acabar se nós mostrarmos a nossa cara...

Abraço, vlw pela visita ao blog.

Sou agnostico a + ou - um ano e pra mim é dificil diser isso par minha familia e amigos , minha mae nem imagina, meus amigos muito poucos , os que sabem mesmo são da faculdades os amigos meus que fazem parte da minha vida são todos evangelicos assim como minha mae e minhas irmãs. É muito dificil e sei que se um dia minha mae descobrir que nao acredito mais em Deus ela vai ficar muito desapontada e eua a amo demais. Vamos ver o que farei daqui pra frente, mas sinto vontade de gritar pra todo mundo , sobre minha falta de crença , e o quanto estou feliz por dormir tranquilo sem ter medo de ir para o inferno....kkkk

Quando leio esse tipo de post, me sinto um cara sortudo, pois apesar de minha família ser religiosa não sofri tanto preconceito quando me declarei ateu. Aliás, até torceram o nariz pra mim no começo, mas eu só me declarei ateu depois de confirmar minhas razões e me posicinar firmemente no que acredito (ou deixo de acreditar), acredito que por isso não houve muita argumentação no sentido de tentar me ''salvar'', tanto é que depois de mostrar minhas idéias, descobri que há outros membros na minha família que duvidam das ''verdades absolutas'', mas tinham medo de sofrer algum tipo de repreensão por dizer isso.

Lamento que a sociedade não seja tolerante com os que pensam diferente e não aceitem como minha família e amigos, aqueles que contestam o que lhes dizem.

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